Milhares de brasileiros acostumados a receber o abono do PIS/Pasep terão uma surpresa a partir de 2026. Quem depende do benefício precisa se atentar para novos critérios, que vão restringir o acesso progressivamente pelos próximos anos e já começam a afetar diversos trabalhadores.
O público-alvo dessas alterações inclui trabalhadores formais que atualmente cumprem os requisitos para receber o abono salarial. Com a atualização das regras, o número de beneficiários sofrerá queda expressiva até 2030, tornando o benefício mais restrito e voltado para quem tem a menor renda.
Entenda se você será um dos atingidos pelas mudanças e saiba o que pode fazer para consultar sua situação.
O que é o abono salarial do PIS/Pasep?
O abono salarial é um pagamento anual voltado a trabalhadores do setor privado e servidores públicos cadastrados no Programa de Integração Social (PIS) ou no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).
Esses programas são geridos, respectivamente, pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, sob supervisão do Ministério do Trabalho. O valor corresponde tradicionalmente a, no máximo, um salário mínimo vigente.
Quem tem direito ao abono salarial?
De acordo com as regras em vigor até 2025, para receber o abono era necessário cumprir todos os seguintes critérios:
- Remuneração mensal média de até dois salários mínimos durante o ano-base;
- Ter trabalhado com carteira assinada por, pelo menos, 30 dias no ano-base considerado;
- Estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos.
No entanto, a partir de 2026, apenas quem recebeu, em média, até 1,96 salário mínimo em 2024 terá acesso ao benefício. Essa limitação ficará ainda mais rígida nos anos seguintes, reduzindo gradualmente o teto da renda exigida para a concessão.

Quais são as mudanças no PIS/Pasep em 2026?
A principal novidade estabelecida pelo Governo Federal a partir de 2026 é que a renda máxima para recebimento do abono salarial será reajustada de acordo com a inflação, enquanto o salário mínimo seguirá políticas de valorização acima da inflação.
O objetivo, conforme o Ministério do Trabalho, é garantir a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Esse reajuste cria uma redução progressiva do limite de renda exigido para o benefício:
- 2026: 1,96 salário mínimo (ano-base 2024);
- 2027: 1,89 salário mínimo (ano-base 2025);
- 2028: 1,83 salário mínimo (ano-base 2026);
- 2029: 1,79 salário mínimo (ano-base 2027);
- 2030: 1,77 salário mínimo (ano-base 2028).
Esses novos parâmetros reduzem o grupo de trabalhadores aptos a receber o benefício ano após ano.
Qual é o valor do abono e como ele é calculado?
O valor do abono corresponde ao número de meses trabalhados com carteira assinada multiplicado por 1/12 do salário mínimo vigente no ano de pagamento. Ou seja, quem trabalhou durante todo o ano-base recebe até um salário mínimo. Valores proporcionais são pagos para quem trabalhou de um a onze meses.
A correção do teto de renda apenas pela inflação restringe quem se enquadra para receber esse valor, mesmo que o benefício continue atrelado ao salário mínimo.
Como solicitar o abono PIS/Pasep?
O trabalhador não precisa formalizar pedido para o abono, pois a concessão é feita automaticamente com base nas informações repassadas pelas empresas à base de dados do governo. Para consultar valores e acompanhar datas de pagamento, utilize os canais oficiais:
- Site da Caixa Econômica Federal (PIS);
- Site do Banco do Brasil (Pasep);
- Aplicativo Carteira de Trabalho Digital;
- Central Alô Trabalho: 158.
Quem encontrar problemas pode buscar atendimento presencial no CRAS, nas agências da Caixa (para PIS) ou Banco do Brasil (para Pasep).
Prazos e calendário de pagamento
O calendário do abono salarial é divulgado anualmente pelo Ministério do Trabalho, com base no número final do PIS ou Pasep do trabalhador. Os valores normalmente ficam disponíveis em lote, a partir do primeiro semestre do ano seguinte ao ano-base.
Consulte sempre os canais oficiais para datas atualizadas e prazos finais para saque. Valores não retirados dentro do cronograma podem ser devolvidos ao FAT.
Quantos trabalhadores perderão o direito ao benefício?
As projeções do Ministério do Trabalho indicam uma redução significativa do público contemplado de 2026 a 2030:
- 2026: 559 mil trabalhadores deixam de ter acesso;
- 2027: 1,58 milhão deixam de receber;
- 2028: 2,58 milhões;
- 2029: 3,51 milhões;
- 2030: 4,56 milhões a menos no benefício.
Apesar da exclusão de grande parcela dos trabalhadores, o número de pessoas com carteira assinada tende a crescer, mantendo o gasto total elevado.
Situações especiais e dúvidas frequentes
Trabalhadores em casos de cadastro desatualizado, erros de informação ou situações excepcionais podem ser excluídos injustamente do benefício. Nesses casos, recomenda-se buscar assistência presencial para correção de dados e reavaliação. Servidores públicos utilizam o Pasep; trabalhadores da iniciativa privada entram pelo PIS.
Se seu pedido for negado, confira todas as informações cadastrais, procure o RH da empresa e, se necessário, abra recurso junto à agência pagadora. O Ministério do Trabalho mantém canais de orientação e atendimento para dúvidas sobre regras e requisitos.
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