O Inep lançou recentemente a Cartilha da Redação do ENEM 2025 com um alerta inédito: a banca avaliadora está mais rigorosa com os chamados “repertórios de bolso” ou “repertórios coringa”. Essa mudança pode impactar diretamente a nota de milhares de candidatos que dependem de citações memorizadas para construir seus argumentos.
O que são repertórios de bolso e por que preocupam o Inep
Os repertórios de bolso são referências prontas e memorizadas que estudantes utilizam de forma genérica em suas redações, independentemente do tema proposto. Segundo o Inep, essas citações padronizadas apresentam pouca profundidade e não estabelecem uma conexão genuína com o assunto abordado.
A preocupação da instituição se justifica pelos números: em 2024, apenas 12 estudantes alcançaram nota mil na redação, uma redução drástica comparada aos 60 aprovados com nota máxima em 2023. Professores observaram que a banca corretora intensificou a fiscalização contra modelos prontos, resultando em penalizações significativas nas pontuações.
Como os repertórios coringa afetam a Competência II
A Competência II da redação do ENEM exige que candidatos demonstrem domínio do repertório sociocultural de forma legítima. Para isso, as referências utilizadas devem atender três critérios fundamentais:
- Apresentar pertinência real ao tema discutido
- Estar bem contextualizadas e articuladas com os argumentos
- Demonstrar que o candidato compreende verdadeiramente a relação entre o conhecimento citado e o problema apresentado
Quando avaliadores identificam que um repertório foi inserido de forma decorada ou forçada, classificam-no como não produtivo, prejudicando diretamente a nota dessa competência.
Exemplo de repertório improdutivo identificado pelo Inep
O documento oficial apresenta um exemplo claro do que evitar. No tema de 2024 sobre “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”, muitos candidatos utilizaram a obra “Utopia” de Thomas More de forma superficial, apenas mencionando uma “cidade perfeita” sem estabelecer conexões profundas com a questão racial brasileira.
Essa abordagem genérica revela o uso decorativo e previsível da referência, característica típica dos repertórios de bolso que a banca agora penaliza com mais rigor.
Estratégias para construir repertórios produtivos
O Inep orienta que candidatos desenvolvam referências específicas e contextualizadas. Um bom repertório vai além da simples menção; ele demonstra compreensão profunda e estabelece relações claras com o tema proposto.
Características de um repertório bem utilizado
A cartilha destaca o uso produtivo através do exemplo de Maria Firmina dos Reis e sua obra “Úrsula”. O texto modelo não apenas cita a autora, mas:
- Contextualiza historicamente a obra publicada em 1859
- Analisa especificamente como a narrativa rompe com padrões eurocêntricos
- Relaciona diretamente o conteúdo com o apagamento de mulheres negras no cânone literário
- Conecta a referência aos obstáculos contemporâneos para valorização da cultura africana
Alternativas aos repertórios decorados
A orientação do Inep abre possibilidades mais amplas para construção argumentativa. Repertórios válidos podem originar-se de diversas fontes, incluindo:
- Filmes e documentários assistidos com atenção crítica
- Músicas que abordem questões sociais relevantes
- Podcasts e programas jornalísticos atuais
- Notícias e acontecimentos contemporâneos
- Experiências pessoais e observações do cotidiano
Para acessar mais dicas sobre preparação para o ENEM, visite o Blog do Bizu.
Impactos na preparação dos candidatos
A mudança na avaliação exige uma nova abordagem no estudo para a redação. Cursinhos e professores precisam repensar metodologias que antes priorizavam listas de citações universais. O foco agora deve ser o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de estabelecer conexões entre conhecimentos e temas.
Mais dicas para redação? Veja o vídeo abaixo:
Dúvidas frequentes
Preciso conhecer obras clássicas para ter bom repertório?
Não necessariamente. O Inep valoriza conhecimento de mundo diversificado.
Posso usar citações diretas na redação?
Citações diretas não são proibidas, mas devem ser breves e estar integradas ao argumento.
O que mudou em relação aos anos anteriores?
A principal mudança é o rigor na avaliação. A banca está mais atenta a padrões repetitivos e citações forçadas, penalizando com mais frequência repertórios considerados decorados ou genéricos.
Como identificar se meu repertório é produtivo?
Pergunte-se: a referência tem relação direta com o tema? Consigo explicar essa conexão claramente? Estou indo além da simples menção? Se as respostas forem positivas, o repertório provavelmente é produtivo.









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