Banco Central divulgou em janeiro de 2026 que ainda existem R$ 10,02 bilhões em recursos esquecidos nas instituições financeiras brasileiras. Desse montante, R$ 7,8 bilhões pertencem a quase 50 milhões de pessoas físicas — e isso inclui dinheiro de pessoas que já faleceram. Familiares e herdeiros podem consultar e resgatar esses valores a receber de pessoa falecida, mas é preciso seguir um caminho específico para não cometer erros ou cair em golpes.
Muitas famílias desconhecem que o ente querido deixou saldos em antigas contas, tarifas cobradas indevidamente ou cotas de consórcio. O Sistema de Valores a Receber (SVR) permite verificar essas informações de forma gratuita e segura.
O que são os Valores a Receber do Banco Central
O Sistema de Valores a Receber (SVR) é uma ferramenta do Banco Central que reúne informações sobre dinheiro esquecido em bancos, consórcios, cooperativas e outras instituições financeiras. Os recursos podem ter diversas origens: contas encerradas com saldo residual, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de consórcio não resgatadas e até valores de grupos de consórcio extintos.
O sistema permite que qualquer pessoa consulte se há valores disponíveis. No caso de beneficiários falecidos, a consulta pode ser realizada por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais. Segundo dados atualizados do BC, mais de R$ 12,92 bilhões já foram devolvidos desde a criação do programa.
Quem pode consultar valores a receber de pessoa falecida
A legislação brasileira estabelece regras claras sobre quem tem direito a acessar informações financeiras de pessoas que já morreram. Para consultar valores a receber de pessoa falecida no sistema do Banco Central, é necessário enquadrar-se em uma das seguintes categorias:
- Herdeiros legítimos ou testamentários
- Inventariantes nomeados pelo processo de inventário
- Representantes legais com procuração específica
- Testamentários indicados em testamento
O interessado deve preencher um termo de responsabilidade disponível no próprio sistema, declarando sua condição perante a lei. A consulta exige o CPF e a data de nascimento da pessoa falecida.
Passo a passo para consultar valores a receber de falecidos
Como verificar se existem valores disponíveis
O procedimento inicial é simples e pode ser feito de casa. Acesse o site oficial Valores a Receber e siga estas etapas:
- Insira o CPF da pessoa falecida
- Informe a data de nascimento
- Transcreva os caracteres de segurança
- Clique em “Consultar”
O sistema informará se há valores disponíveis. Caso positivo, será necessário acessar a área restrita para obter mais detalhes.
Como acessar os dados detalhados
Para ver o valor exato e a instituição responsável pela devolução, o familiar precisa fazer login com a própria conta Gov.br (não a da pessoa falecida). O acesso requer conta Gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas ativada.
Dentro do sistema, acesse a opção “Valores para Pessoas Falecidas”, digite novamente o CPF e a data de nascimento do falecido, aceite o termo de responsabilidade e visualize as informações disponíveis.

Como resgatar os valores a receber de pessoa falecida
A importância do inventário no processo
O resgate de valores deixados por pessoas que morreram só pode ser efetivado após a conclusão do inventário. Esse procedimento legal reúne todos os bens do falecido e oficializa a divisão entre os herdeiros conforme a lei.
Após o encerramento do inventário, cada herdeiro pode procurar o banco indicado no sistema e solicitar sua parte. Os documentos exigidos normalmente incluem:
- Escritura pública de inventário e partilha (inventário extrajudicial)
- Formal de partilha (inventário judicial)
- Documento de identidade do herdeiro
- CPF do herdeiro
Situações em que o saque pode ocorrer sem inventário
Existem exceções previstas na legislação que permitem o acesso aos valores antes ou sem a necessidade de inventário completo:
Valores pequenos: Se o total não ultrapassar 500 OTN (aproximadamente R$ 13.000 em valores atualizados) e não houver outros bens, o pagamento pode ser feito mediante alvará judicial.
Despesas do funeral: A família pode solicitar um alvará na Justiça para usar parte do saldo em conta do falecido para cobrir os custos do velório e sepultamento.
Custas do inventário: Caso a família não tenha recursos para arcar com honorários advocatícios e taxas, é possível pedir autorização judicial para utilizar o saldo disponível.
Cuidados com a segurança e golpes
O Banco Central reforça que nunca entra em contato por telefone, mensagem ou e-mail para solicitar dados pessoais ou liberar valores. Qualquer abordagem desse tipo é golpe.
O único canal oficial para consulta e solicitação é o site oficial. O sistema exige autenticação em duas etapas desde fevereiro de 2025, aumentando a proteção contra fraudes. Quem não possui o aplicativo Gov.br precisa baixá-lo e realizar a validação facial antes de acessar o sistema.
Para a liberação dos valores, o BC solicita uma chave Pix válida. Quem não possui chave cadastrada deve entrar em contato com a instituição financeira indicada para combinar outra forma de recebimento.
Solicitação automática de valores a receber
Desde maio de 2025, o Banco Central oferece a opção de habilitar um pedido automático de resgate. Essa funcionalidade é exclusiva para pessoas físicas que possuam chave Pix do tipo CPF.
Com essa opção ativada, o cidadão não precisa consultar o sistema periodicamente. Quando surgir valores em seu nome, a instituição financeira faz o depósito diretamente na conta vinculada à chave Pix, sem aviso prévio do BC. Instituições que não aderiram ao termo de devolução via Pix continuam exigindo solicitação manual.
Para mais informações e notícias, acesse o Blog do Bizu.









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