A questão sobre o feminino de hipopótamo pode parecer simples, mas a resposta desafia a lógica que muitos aplicam automaticamente na formação do feminino das palavras em português.
Por que “hipopótama” está errado
A primeira reação de qualquer pessoa ao tentar formar o feminino de hipopótamo seria trocar o “o” final por “a”, resultando em “hipopótama”. Parece lógico, não é mesmo? Afinal, funciona assim com “gato/gata”, “menino/menina” e tantas outras palavras. No entanto, a palavra “hipopótama” não existe na língua portuguesa e seu uso está incorreto.
O correto é utilizar a expressão “hipopótamo-fêmea”. Sim, isso mesmo! O termo mantém o gênero masculino do artigo “o” e adiciona a especificação “fêmea” para indicar o sexo do animal. Assim, ao observar uma mãe hipopótamo cuidando de seus filhotes às margens de um rio, deve-se dizer que se trata de “o hipopótamo-fêmea com seus filhotes”.
Entendendo os substantivos epicenos
A gramática portuguesa reserva uma categoria para casos como esse: os substantivos epicenos. Esses substantivos apresentam um único gênero gramatical que serve tanto para o macho quanto para a fêmea da espécie. Quando há necessidade de especificar o sexo do animal, acrescentam-se os termos “macho” ou “fêmea” após o substantivo.
Diferentemente dos substantivos biformes, que possuem formas distintas para masculino e feminino (como “boi” e “vaca”, “galo” e “galinha”), os epicenos mantêm sua forma única. O hipopótamo pertence a esse seleto grupo gramatical, junto com outros animais como a águia, o jacaré e a cobra.
Como funciona na prática
A aplicação dessa regra é mais simples do que parece. Observe alguns exemplos práticos:
- “O hipopótamo-fêmea é considerado um dos animais mais perigosos da África”
- “Durante a seca, o hipopótamo-macho defende agressivamente seu território”
- “Os filhotes seguem o hipopótamo-fêmea até o rio para se refrescar”
O artigo “o” permanece invariável, independentemente do sexo do animal mencionado. Essa característica distingue os epicenos de outros tipos de substantivos da língua.

Outros animais que seguem a mesma regra
O hipopótamo não está sozinho nessa categoria gramatical. Diversos animais compartilham essa mesma característica linguística. Entre os mais conhecidos, podemos citar a baleia, o crocodilo, a borboleta e o besouro. Para todos esses animais, a distinção entre macho e fêmea segue o mesmo padrão: acrescenta-se “macho” ou “fêmea” após o substantivo.
Curiosamente, alguns substantivos podem funcionar nos dois gêneros, bastando alterar o artigo. É o caso de “o sabiá” e “a sabiá”, onde ambas as formas são aceitas pela norma culta. Já outros animais, como o elefante, possuem formas específicas: elefante para o macho e elefanta (ou aliá) para a fêmea.
A importância cultural e midiática
Para ilustrar como essa regra aparece no cotidiano, basta lembrar da famosa personagem Gloria, do filme de animação “Madagascar”, dos estúdios DreamWorks. A simpática e vaidosa personagem é tecnicamente um “hipopótamo-fêmea”, embora o filme raramente faça essa distinção formal. Essa representação pop cultural demonstra como a linguagem coloquial muitas vezes simplifica essas questões gramaticais.
No Blog do Bizu, encontram-se diversos outros casos interessantes sobre as peculiaridades da língua portuguesa que desafiam o senso comum.
Dúvidas frequentes
O termo “hipopótama” pode ser usado informalmente?
Não, o termo “hipopótama” não existe no vocabulário português e deve ser evitado mesmo em conversas informais. O correto sempre será “hipopótamo-fêmea”.
Todos os animais seguem essa regra do macho e fêmea?
Não, apenas os substantivos epicenos seguem essa regra. Muitos animais possuem formas distintas para masculino e feminino, como leão/leoa e gato/gata.
Como identificar um substantivo epiceno?
Substantivos epicenos são aqueles que mantêm o mesmo gênero gramatical para ambos os sexos. Se não houver uma forma feminina ou masculina específica, provavelmente trata-se de um epiceno.
Existem exceções para a regra dos epicenos?
A regra é consistente para os substantivos classificados como epicenos. Cada animal segue sua própria classificação gramatical estabelecida pelos dicionários.









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